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Acórdão · Superior Tribunal de Justiça

STJ, EDcl no AgInt no AREsp 2.744.448

Embargos de Declaração no Agravo Interno no Agravo em Recurso Especial

Relator
Min. João Otávio de Noronha
Órgão julgador
Quarta Turma
Julgamento
31/08/2026
Publicação
DJEN 03/09/2026
Processo no STJ

Ementa

DIREITO PRIVADO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. COBERTURA SECURITÁRIA. DOENÇA PREEXISTENTE. MÁ-FÉ DO SEGURADO. OBSCURIDADE. PREQUESTIONAMENTO. SÚMULAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.

I. CASO EM EXAME

1. Embargos de declaração opostos a acórdão que desproveu agravo interno, em razão da fundamentação sobre inexistência de omissão quanto à análise da má-fé do segurado com aplicação da Súmula n. 609 do STJ, vedação ao reexame fático e contratual pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ e ausência de prequestionamento com incidência das Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF.

II. QUESTÃO EM DISCUSSÃO

2. Há três questões em discussão: (i) saber se há obscuridade quanto aos motivos pelos quais se considerou que houve análise e afastamento da má-fé do segurado sem oportunizar prova médica; (ii) saber se há obscuridade quanto à invocação de precedentes em hipóteses de afastamento da má-fé; e (iii) saber se há obscuridade quanto às razões de não reconhecimento de cerceamento de defesa e supressão de instância, em alegada violação aos arts. 7º, 129, 355, 369, 370, 373 I e II, e 442 do CPC.

III. RAZÕES DE DECIDIR

3. Os embargos de declaração destinam-se a esclarecer obscuridade, eliminar contradição, suprir omissão ou corrigir erro material existentes no julgado.

4. Inexistente obscuridade sobre a análise da má-fé, pois o acórdão embargado é claro ao afirmar que a má-fé não pode ser presumida, que não foi demonstrada e que a ausência de exames prévios atrai a Súmula n. 609 do STJ, sendo inviável reexame pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ.

5. Não há obscuridade quanto ao cerceamento de defesa e à supressão de instância, porque o acórdão embargado explicitou a ausência de prequestionamento e aplicou as Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF, impedindo o conhecimento da matéria no recurso especial.

6. A referência a precedentes não é obscura, pois foi utilizada para evidenciar a orientação desta Corte sobre a impossibilidade de reexame fático-probatório e contratual em recurso especial, não se confundindo discordância com vício integrativo.

IV. DISPOSITIVO E TESE

7. Embargos de declaração rejeitados.

Tese de julgamento: "1. Não se constata obscuridade quando o acórdão embargado examina de forma clara a inexistência de má-fé do segurado, aplica a Súmula n. 609 do STJ e indica a inviabilidade de reexame pelas Súmulas n. 5 e 7 do STJ. 2. Não cabem embargos de declaração para afastar óbice de ausência de prequestionamento quando o acórdão embargado explicita a incidência das Súmulas n. 211 do STJ e 282 do STF. 3. Inexiste obscuridade na referência a precedentes utilizada para demonstrar a impossibilidade de reexame fático-probatório e contratual em recurso especial." Dispositivos relevantes citados: CPC, arts. 7º, 129, 355, 369, 370, 373 I e II, 442, 1.022 e 1.026 § 2º.

Jurisprudência relevante citada: STJ, EDcl no REsp n. 2.176.410/DF, relator Ministro Humberto Martins, Terceira Turma, julgados em 9/2/2026; STJ, AgInt no REsp n. 2.136.570/SP, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 30/6/2026; STJ, EDcl no AREsp n. 2.438.810/PR, relator Ministro Raul Araújo, Quarta Turma, julgado em 25/5/2026; STJ, EDcl no AgRg no RE nos EDcl no AgRg nos EDcl no AREsp n. 1.571.819/RJ, relatora Ministra Maria Thereza de Assis Moura, Corte Especial, julgados em 25/8/2020; STJ, Súmulas n. 5, 7, 609 e 211; STF, Súmula n. 282.

Dados do julgamento

Acórdão

Vistos e relatados estes autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da QUARTA TURMA do Superior Tribunal de Justiça, em Sessão Virtual de 25/08/2026 a 31/08/2026, por unanimidade, rejeitar os embargos de declaração, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Raul Araújo, Maria Isabel Gallotti, Antonio Carlos Ferreira e Luís Carlos Gambogi (Desembargador Convocado do TJMG) votaram com o Sr. Ministro Relator. Presidiu o julgamento o Sr. Ministro João Otávio de Noronha.